quarta-feira, 6 de abril de 2011

Book Shop Pipa sob nova direção


Após muitos anos de trabalho e luta para criar e tocar a biblioteca comunitária de Praia da Pipa/RN, a gaucha Cintia Junqueira passou o comando do Book Shop Pipa para Sandra Almeida, portuguesa enraizada no Brasil há muitos anos. Cintia e Sandra, juntas a Marizé Assis, criaram em 2006 o projeto Leitura na Praça, no município de Tibau do Sul, e fundaram uma biblioteca infantil no Distrito de Sibaúma.
À procura de novos desafios, no março de 2011, Cintia vendeu a biblioteca comunitária para Sandra e foi morar em Minas Gerais.
Agora quem vai capitanar a biblioteca Book Shop Pipa e o projeto Leitura na Praça é Sandrinha, que conta com a colaboração de todos os que quiserem ajudar.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Proto-FlipAut 2010: João Batista Morais na Pipa


O poeta potiguar João Batista Morais veio passar um fim-de-semana na Pipa quando estavamos já começando a organizar o FlipAut 2010. O poeta, pintor e cantor João França me falou do seu amigo professor universitario e poeta natalense que iria lançar um novo livro de poesia durante o festival literário e decidimos articular uma entrevista/depoimento enquanto da sua estadia na Pipa. Apesar de alguns inconvenientes, conseguimos realizar as filmagens num domingo de manhã de outubro 2010.
Hoje publicamos enfim este breve vídeo/documento sobre esse notorio poeta potiguar. João Batista fala da sua poetica e lê uma poesia extraida do seu mais recente livro, "O veneno do silêncio".

domingo, 5 de dezembro de 2010

Biblioteca de Sibaúma tem nova sede


A bibliotequinha na vila de Sibaúma do projeto Leitura na Praça, coordenado e executado pela potiguar Marisé Silva de Assis e a portuguesa Sandra Almeida*, tem uma nova sede. Ontem, sábado 4 de dezembro, as duas mulheres, na presença de colaboradores, amigos e muitas crianças, inauguraram a nova sede, que na semana passada foi reformada, adaptada e pintada.
Marisé, responsável da maioria das atividades em Sibaúma, confirmou sua boa vontade de continuar a abrir a biblioteca ao público três vezes por semana.
São sempre bem-vindas doações de bons livros, material de papelaria (papel A4 branco, lapis comuns e coloridos, etc...) e também é bom um dinheirinho mesmo para custear as passagens de ida e volta do trasporte.

* Ambas foram oficineiras durante o flipAut! 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

O encontro do Flipipa com o FlipAut


O próprio Dácio Galvão, organizador do Flipips, acabou vestindo a camiseta do FlipAut! Ei-lo aqui comigo e a Sra. Cintia Junqueira, a então proprietária do Book Shop Pipa, no sábado à tarde. A fotografia é de Rogério Vital.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

FlipAut! onírica


A nova indústria de eventos, pós-autos, Cinemas, Feiras/Bienais de Livros, Gastronômicos, os Festivais Literários que se instaura: Flip, Paraty/RJ; Fliporto, P. de Galinhas/PE; de Passo Fundo/RS e nesse caso Flipipa/RN, desemboca na Teoria dos Ídolos de Francis Bacon. Os “ídolos da tribo”, que generalizam com bases em casos favoráveis (vide-bula). Ou os “ídolos do teatro”, na invenção de factóides, com a conivência de autoridades que se rendem ao tráfego de influências e/ou as famigeradas leis de incentivo.
Transformar Pipa em contexto de evento cultural para sair do trinômio sol, praia e desbunde (cosmopolita) forjado no viés de aproximação da população local com os intelectuais e escritores de projeção local e (inter) nacional, incentivando a formação de novos leitores (sic!). È argumento insustentável, ledo engano – Zeus se travestiu de cisne para afogar o ganso com a linda Leda.
Chega de tietismo, celebrar celebridades. Antes, a obra que o escritor produz, do que o escritor que a mídia enaltece. Na Flip/2010, Crumb disse: “Não sei o que estou fazendo aqui. O que interessa é meu trabalho”. Ou, como afirmou no Flipipa/2010 João Ubaldo: “Não entendo nada de literatura e não gosto de falar de literatura”.
Mesmice deslavada. Denotar figuras abastadas da literatura não legitima a aura de encontro literário. A repetição de personas e temáticas é lugar comum. Quatorze a zero: concordo com o Fábio (revista 14) que ousou dizer “repetitivo e chato”. E ainda: “obsessão por um passado que já aconteceu”; e mais: “viver imerso em ilusões nostálgicas”.
Estou farto, cansado da estética do cangaço. Gosto do Mia Couto, principalmente de sua criação lexical acronímica, junção de dois vocábulos existentes para a formação de uma nova palavra - apesar de termos cá, o original nonada Guimarães Rosa. Não preciso ouvir dele que há várias Áfricas e vários Brasis, e uma “África brasileira”. Curto o Noll, mas não sou noiado. Pra dormir, conto Carneiro(s)... Carito, ainda continuo sem saber que danado é mascafon? Uma de Cascudo. Quando não se sabia de alguma coisa, parodiando o Mário de Andrade, aconselhava o provinciano incurável: vá procurar o prof. Panqueca!
De leve que é na contramão. Não sejamos apenas cenário, nem só figurantes! Exercitar o "Genius Loci/Espírito do Lugar" e quem nele habita. Não queremos público pudico; necessitamos construir um público que não se resigne na coadjuvância lhes atribuída historicamente - que acha lindo o que não é espelho.
Eis que mesmo na surdina aviltante da imprensa, eclodiu o FlipAut, Out (FORA). Nem contra, nem a favor, mas, avesso ao reverso. Uma aventura prometéica, que rouba o fogo que cega/encandeia na fogueira das veleidades do Olimpo, para distribuí-lo aos singelos mortais. Coletivamente, colaborativamente... Compartilhadamente... Inclusivamente... Conclamando todos ao protagonismo, a fazer (p)Arte da História!
FlipAut! 2010, Festival Literário Alternativo da Pipa foi circuito paralelo de interações, descentralizando acontecências sem conflitos com ninguém, corroborando para popularizar a literatura e a arte em todas nuance. Vislumbrou permear barreiras sociais e espaciais, exercitando práticas lúcidas e lúdicas na praia, no book shop, na escola, na esquina da rua, no boteco... Sem fins lucrativos, nenhum dos escritores, jornalistas, poetas, produtores, colaboradores, oficineiros, etc. ganharam uma pataca sequer pelo esforço, além do prazer de propiciar/vivenciar junto à grande e heterogênea comunidade local/global uma instigante experiência onírica de pertencimento cultural.

[Plínio Sanderson Saldanha]